21/07/2015

SEBASTIÃO ANTUNES & QUADRILHA | Discurso Direto


"Proibido Adivinhar" é o novo álbum de Sebastião Antunes & QuadrilhaEntre temas originais e versões de músicas trazidas pelo tempo através da tradição a Quadrilha apresenta neste trabalho composições que apesar de novas são representativas das influências que marcaram as várias fases do grupo. Sebastião Antunes, é hoje o meu convidado em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - “Proibido Adivinhar” é mais um disco cheio de surpresas e novas abordagens à música que sempre motivou este colectivo, a música de tradição portuguesa. Estás de acordo?

Sebastião Antunes - Sim, o que sempre influenciou o nosso trabalho foi maioritariamente a música de tradição portuguesa, embora tenhamos sempre a companhia de sonoridades vindas de regiões como a Galiza, Irlanda ou a Bretanha e, mais recentemente, a música que se faz no deserto do Sahara.

PR - Para além das influências musicais que no início chegaram Irlanda ou da Bretanha e mais posteriormente a grande paixão das cantigas que ecoam à solta pelas areias do deserto do Sahara, atualmente o coletivo assume a sua urbanidade e até pisca o olho às coisas novas da electrónica. Este é o reflexo do nosso tempo?

SA - É verdade. Apesar de sermos um projeto que se considera a trabalhar na área das tradições, o que normalmente remete para uma ideia de contexto rural, o facto é que vivemos acompanhados por máquinas e fazemos a nossa música na cidade, aceitando a ideia de que a música de tradição é aquela que acompanha a vida das pessoas. A eletrónica desafiou-nos a utilizá-la, e assim chega um disco com mais urbanidade, mas no qual toda a influência da tradição continua presente.

PR - Este disco conta com várias, participações, entre elas a magia da cantora saharoui Mariem Hassan,  em “Senhora do Almortão”. Queres contar-nos como é que tudo aconteceu?

SA - A experiência com a Mariem Hassan foi muito forte, é uma história incrível. Quando conheci os discos da Mariem fiquei encantado, e algum tempo depois uma amiga galega recebia temporariamente um jovem do Sahara ocidental que ficou muito contente com a música que eu gravei de nome Saharoui. Quando nos conhecemos, ele mostrou-me canções da Mariem e quando eu lhe disse que a adorava ele contou, orgulhosamente, que era seu vizinho. Uns tempos mais tarde, o festival islâmico de Mértola encomendou-me um concerto que fosse diferente dos concertos normais, e eu ganhei coragem e, através do Mohaaharoui Mohamed, convidei a Mariem e ela aceitou. Foram concertos inesquecíveis, também em Lisboa, Barcelona e na Argélia. Por ser uma experiência tão marcante, decidimos colocar um desses momentos no álbum.

PR - “Comboio dos Atrasos” (com a participação de Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa), foi a canção escolhida para single de apresentação deste trabalho. Este é o tema que melhor define o “espírito” deste disco?

SA - Reflete um dos vários sentimentos do disco, juntar a crítica com a festa. O Carlos Guerreiro é, para mim, para além de um grande músico, um grande ser humano, e com ele aprendi muitas coisas, e continuo a aprender. O Carlos enriquece as canções por onde passa.

PR - “Proibido Adivinhar (cantiga da nova emigração)”, é o tema que dá nome a este disco. De que é que nos fala este tema?

SA - Esta música fala das novas formas de emigração, às vezes porque é preciso partir, outras porque a vontade de partir e experimentar coisas novas não nos larga, fala da maneira como muitos jovens encaram esta emigração, com alegrias e solidão. Fala deste sentimento de saber que é preciso ir, mas não se sabe mais nada porque é proibido adivinhar.

PR - Para terminar, por onde passa o futuro próximo de Sebastião Antunes & Quadrilha?

SA - O futuro passa por fazer muitos concertos, agradecer a todos os que colaboram neste disco, e desejar que ele chegue ao maior número de pessoas possível e, acima de tudo, que gostem tanto de o ouvir como nós gostámos de o fazer.

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