15/09/2015

ROTA DO FADO | Discurso Direto


"Rota do Fado , The Fado Route / Ruta del Fado", de Orlando Leite e Pedro Teixeira Neves, editado pela Esfera dos Livros, é um guia indispensável, trilingue (português, inglês e espanhol), para ficar a conhecer as 100 casas, tabernas e restaurantes de norte a sul do país onde o fado é rei e senhor.. Hoje seguimos a "Rota do Fado" na companhia de Orlando Leite e Pedro Teixeira Neves.

Portugal Rebelde - Antes de mais como é que surgiu a ideia para escrever um livro sobre a melhor “Rota do Fado”?

Orlando Leite & Pedro Teixeira Neves - A ideia de fazer este «Rota do Fado» surgiu da constatação de uma lacuna no mercado editorial português no que respeita a esta matéria. Ou seja, não existia nas livrarias um livro que de forma sistematizada, estruturada e de fácil consulta possibilitasse aos amantes do fado uma espécie de roteiro pelos locais onde a canção nacional pode ser escutada ao vivo. Se pensarmos que as sugestões do livro englobam Portugal de norte a sul, então mais fácil é constatar que se trata de um trabalho novo e de grande utilidade uma vez que, como é costume ouvir-se e dizer-se, o fado hoje, mais do que nunca, voltou à ribalta e está na moda. No mais, a ainda recente concessão do estatuto de património imaterial da Unesco é bem disso prova. Neste contexto, achámos que possibilitar ao público um guia como este poderia ser uma ferramenta muito útil para descobrir o fado no século XXI.

PR - “Rota do Fado”, é uma edição trilingue (português, inglês e espanhol). Este “guia” também quer “piscar” o olho aos muitos turistas que nos visitam?

OL & PTN - Não quer piscar o olho, quer mesmo convidar todos quantos visitam o nosso país a conhecer ao vivo aquele que é um dos cartões de visita por excelência do nosso país. Sabemos que o fado é conhecido no mundo inteiro, sabemos que muitos que visitam Portugal o procuram, talvez, por vezes, não saibam onde o encontrar. É por isso também para eles este livro. Em inglês, porque se trata de da língua que é uma espécie de esperanto, que todos entendem e de algum modo falam, em espanhol porque somos cada vez mais visitados pelos nuestros hermanos e sabemos também que eles apesar de continuarem a bater-nos no futebol e no hóquei em patins gostam muito de fado!

PR - Fado é quase sinónimo de boa gastronomia, o Rota do Fado mostra quais os pratos e petiscos que se podem provar ao som das melhores vozes e guitarras. A viagem pelo pais do “Fado” trouxe agradáveis surpresas?

OL & PTN - Fado e gastronomia caminham de mãos dadas. O prato principal à mesa costuma ser o bacalhau, o caldo verde, o chouriço. Mas não dispensa a carta toda a restante variedade e qualidade da gastronomia nacional. De norte a sul! No fado amador, ou castiço, são mais costumeiros os petiscos, nas chamadas casas de fado o menu serve-se com mais rigor e apuro na apresentação, sendo que ao nível da qualidade uns e outros se equiparam.

PR - Para além das casas de fado profissional, este livro dá também a conhecer sítios onde se pode ouvir este género musical nas vozes de fadistas amadores. Este era um dos objetivos principais?

OL & PTN - Sem dúvida, o objectivo era reunir cem lugares onde se pudesse ouvir fado, amador ou profissional. A caminho do projecto abrimos ainda mais o leque ao descobrirmos alguns locais onde para além de se cantar e tocar o fado o mesmo também se ensina, como nos casos do Clube Amigos do Fado de Lisboa, em Chelas, no Clube Boa Esperança, em Portimão, ou no Fado com História, em Tavira. Devemos, ademais, ajuntar que é nos locais ditos amadores que por vezes sentimos o fado na sua essência mais pura, que não seja por via daquilo que ali ouvimos, isto é, do alinhamento de temas, não ter de se ater a um conjunto prévio de canções que, à partida, numa casa de fado profissional e virada para turistas não podem faltar; os chamados «clássicos».

PR - Há uma nova geração que conhece e ama este património, que é de todos nós?

OL & PTN - A resposta é claramente sim. Quer no que a intérpretes, cantores e instrumentistas respeita, quer no que aos públicos que assistem ao fado. Vimos muita gente nova a cantar, e bem, e com verdadeiro prazer e alma, tal como muita juventude a querer aprender a tocar. Por incrível que pareça, em Coimbra, no Fado ao Centro, sabemos que até vêm estudantes de fora do país, por exemplo da China ou do Japão, para ali, durante breves temporadas, aprenderem a tocar e cantar o fado. Estudantes que ali permanecem durante um, dois meses, regressam aos seus países e depois voltam de novo a Coimbra.

PR - Para terminar, onde se pode ouvir o melhor fado em Portugal?"

OL & PTN - Questão, naturalmente subjectiva. De nossa parte o que podemos é avançar alguns nomes de locais onde vimos fruir a alma do fado num cruzamento perfeito entre sensibilidade e bom gosto, nas vozes e sobre a mesa, gastronomicamente falando. Meia-dúzia de exemplos: A Baiuca, o Senhor Vinho, a Mascote da Atalia ou o Mesa de Frades, em Lisboa, A Tricanita, em Cacilhas, a Adega Casas Novas, em Colares, o Fadário, em Alcobaça, O Fado e O Mal Cozinhado, no Porto, entre outros.
                                                                                              Foto: Pedro Teixeira Neves

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