07/10/2015

AI! | Discurso Direto


“Lavra, boi, lavra - canções de trabalho”, é este o disco que marca o regresso de César Prata e Suzete Marques às edições. Ai! é um projeto de pesquisa e recriação da música portuguesa de tradição oral, trazendo ainda para o seu repertório alguns temas medievais. Hoje o Portugal Rebelde regressa à terra na companhia de César Prata.

Portugal Rebelde - “O homem é terra — e à terra há de voltar. Entre uma coisa e outra fica a vida, vivida para a terra que tudo dá: o sustento e os cantos.” Este é o mote para o álbum “Lavra, boi, lavra — canções de trabalho”?

César Prata - Sim, é. As canções de trabalho acompanharam gerações e gerações, aliviando a canseira provocada pelo cultivo da terra que foi durante muitos anos a fonte principal de sustento.

PR - As canções de trabalho, ainda se fazem ouvir?

CP - Muito dificilmente. A mecanização da agricultura calou a voz das canções de trabalho. Por outro lado, sendo canções funcionais, ou seja, associadas a uma função, desaparecendo a função rapidamente tombaram no esquecimento.

PR - As canções deste álbum “Lavra, boi, lavra — canções de trabalho” já tiveram a oportunidade de serem apresentadas em palco. Qual tem sido o “feedback” das pessoas?

CP - O espetáculo tem sido muito bem recebido. Ao vivo as canções são acompanhadas por projeção de fotografias que fixaram de uma forma fantástica um mundo rural hoje desaparecido.

PR - Numa frase apenas como caracterizaria este 2º disco?

CP - É um disco que traz outro som ao Ai!, uma vez que o grupo passou a ser constituído por três elementos. Juntou-se ao duo inicial o percussionista Tiago Pereira.

PR - Aos fundadores do projeto AI!!, (César Prata e Suzete Marques), juntou-se o percussionista Tiago Pereira. Qual o contributo deste músico para o projecto AI!?

CP - O Tiago, mediante os timbres dos instrumentos que utiliza, veio trazer uma dimensão diferente aos arranjos.

PR - Paralelamente, iniciaram um projeto de recolha do património imaterial do concelho de Pinhel chamado “Ouvir Ontem”. Esta é mais uma forma para conhecermos melhor o presente?

CP - Sim, sem dúvida. E é uma forma de fixar património imaterial, sem dúvida algo importantíssimo. É também uma forma de valorizar o saber de pessoas que se sentem fora do nosso tempo e de lhes dar atenção. Afinal, elas são portadoras de saberes fantásticos.

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