10/10/2015

FANDANGO | Discurso Direto


São precisos dois para dançar o Fandango. Gabriel Gomes e Luis Varatojo, há muito que cruzam os palcos da música portuguesa, o primeiro com a Sétima Legião e os Madredeus, o segundo com os Peste & Sida e A Naifa. A procura de novos sons e novos caminhos tem marcado o percurso dos dois músicos que, em projectos diferentes, têm perseguido um objectivo comum: criar propostas artísticas a partir de referências da música de raiz portuguesa. Desta vez juntam-se para experimentar as sonoridades do acordeão e da guitarra portuguesa num contexto onda a electrónica comanda a acção e apela à dança. Hoje no Portugal Rebelde, descobrimos este "guia turístico" a que deram o nome de Fandango.

Portugal Rebelde - Antes de mais, como é surgiu a ideia para este “Fandango”?

Fandango - Já há algum tempo que tínhamos vontade de fazer qualquer coisa juntos. Em 2014 proporcionou-se uma parceria para as Festas de Lisboa, num projecto em que formámos uma mini orquestra de i pads para uma série de concertos do programa “Andar em festa”. A experiência foi muito positiva, revelando um bom entendimento entre os dois, e deixando no ar a possibilidade de uma parceria mais séria. Essa parceria foi firmada num almoço uns meses depois. Tínhamos uma vontade comum: experimentar a guitarra e o acordeão num contexto electrónico. A partir daí, começámos a trabalhar no projecto regularmente, e ao fim de dois meses percebemos que o trabalho produzido poderia dar um disco.

PR - Espaço e lugares povoam todo o disco. É verdade que a maior parte das músicas deste “Fandango” nascem das paisagens e do que sentem em relação a determinados sítios?

Fandango - As músicas nascem de ideias melódicas ou rítmicas que têm quase sempre origem em memórias de determinados locais, experiências, sensações, estados de espírito. Neste disco, a maior parte das músicas foram, de facto, desenvolvidas à volta de uma paisagem ou do ambiente de um local, como se estivéssemos a trabalhar na sua imagem sonora. Mas esta escolha foi muito aleatória, não houve propriamente um plano, e por isso temos atmosferas tão distintas como um passeio pela Marginal ao pôr do sol, ou uma viagem por entre o verde na linha do Tua. Também há uma referência ao Algarve, mas só porque a ideia musical inicial nos fazia lembrar um corridinho. Outras ainda, nasceram de ideias mais abstractas e só ganharam identidade mais tarde. Enfim, as referências são várias, e não há nada como ouvir o disco para as descobrir.

PR - “Ritz” foi a canção escolhida para single de avanço deste trabalho. Este é o tema que melhor retrata o “espírito” deste disco”?

Fandango - Sim. É uma música bastante dançável, tem duas boas melodias que resultaram num bom diálogo entre a guitarra e o acordeão. Esses foram os principais objectivos com que partimos para este disco, e esta música representa bem isso.

PR - “Dança ao desafio”,  é este o pensamento que percorre este “Fandango”?

Fandango - É uma definição possível do Fandango - dança ribatejana -, mas também define muito bem todo o processo de desenvolvimento deste Fandango. De facto, o trabalho foi avançando numa base de diálogo musical semelhante a uma desgarrada. A ideia inicial era cada um fazer meia dúzia de propostas – podiam ser frases, beats, ambientes, etc. -, mantendo as coisas em esboço, de forma a deixar espaço de manobra para a intervenção do outro. O único pressuposto era o de tudo o que fizéssemos ser minimamente dançável. Conforme fomos avançando, e percebendo que estávamos a ter bons resultados, fomos explorando mais esta ideia de desafio, que agora também transpomos para o palco.

PR - Numa frase apenas como caracterizariam este “Fandango”?

Fandango - Aproveitamos uma frase que o Gonçalo Frota escreveu no Ípsilon: “Fandango é um guia turístico para dançar

PR - Para terminar, depois da edição deste disco, há intenções de levar as canções deste “Fandango” aos palcos portugueses?

Fandango - Claro que sim. Já fizemos três concertos e as coisas correram muito bem. O disco é bastante variado e permite construir um espectáculo com muita dinâmica, a maior parte do tempo num tom mais enérgico, mas com algumas nuances mais contemplativas. Nós estamos quase sempre a tocar - ora guitarra e acordeão, ora sintetizadores e sequenciadores –, isso dá-nos muito gozo e faz com que o espectáculo seja muito vivo. Para além disso, o video, que está presente durante toda a performance, propõe uma série de ambientes e leituras visuais, que conferem uma outra dimensão ao espectáculo, tornando-o num objecto assumidadmente audio visual. É um espectáculo que funciona bem numa pista de dança mas também numa sala com plateia sentada. Queremos que as pessoas se divirtam e desfrutem de um bom concerto, é nisso que apostamos.

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