28/09/2018

LUÍS PUCARINHO | Discurso Direto


Numa edição da Alain Vachier Music Editions chega hoje às lojas o novo trabalho de Luís Pucarinho, "SaiArodada", um disco composto por dez canções originais que contam com os músicos Jéssica Pina no trompete, Afonso Castanheira no contrabaixo e Mário Lopes na bateria. Com base nas internacionalizações de Luís Pucarinho e o que a sua sensibilidade captou pelos vários continentes, este novo álbum veste a saia de todas as mulheres do mundo em prol dos seus direitos e da sua valorização, como se de uma homenagem se tratasse. A música que nos chega neste “SaiArodada consegue ainda a transversalidade de várias culturas com textos ricos e cuidados em português. Hoje em "Discurso Direto" é meu convidado Luís Pucarinho.

Portugal Rebelde - Neste novo disco funde a canção portuguesa com os ritmos africanos e latinos. Que “viagem” sonora é esta que nos apresenta em "Saiarodada"?

Luís Pucarinho - "SaiArodada" é o fim de uma viagem e o início de outra. Depois de um período conturbado após a morte do meu pai que me levou a uma fase deprimida, regressei “à vida” graças ás mulheres da minha família (sou o único homem de momento), sobretudo à minha namorada. O próprio nome do disco, não só simboliza a mulher (pela Saia) como também a “dança e liberdade” (Saia rodada), como também um brinde a esta nova fase da vida (Sai a rodada). Daí este disco celebrar uma comemoração, como se de uma homenagem de gratidão à mulher se tratasse, complementando com a responsabilidade social que me assiste, valorizar os direitos da mulher no mundo, uma vez que há muito a fazer nesta matéria e daí também este contributo. Os ritmos africanos e latinos são algo que trago em mim desde sempre, sou descendente já longínquo de Africanos e sou latino por natureza e sou de facto, apaixonado pelas culturas destes povos.

PR - Este trabalho é composto por dez canções originais que contam com os músicos Jéssica Pina no trompete, Afonso Castanheira no contrabaixo e Mário Lopes na bateria, todos provenientes da escola do Jazz. O que é que estes músicos trouxeram para este disco ?

Luís Pucarinho - Eu sou um músico vindo da formação clássica, no entanto a música não tem fronteiras e o Jazz é uma linguagem musical onde o improviso faz parte. O improviso é uma capacidade musical que permite que cada momento musical possa ser diferente e desta forma, o público poderá desfrutar de momentos únicos e irrepetíveis. Por outro lado, vem a amizade e a competência. Escolho os músicos em função de boas relações e de resultados. Todos eles participam do processo criativo no que diz respeito aos arranjos e com a capacidade de improviso (de inventar no momento) surgem sempre mais soluções, do que, se tivesse que escrever tudo sozinho (como já aconteceu no passado). Assim sendo, os músicos sentem que o resultado também faz parte do seu
trabalho criativo, sentem o projecto também como seu.


PR - Numa frase como caracterizaria este “SaiArodada”?

Luís Pucarinho - Sai a rodada, “brindando numa dança” aos direitos da mulher no mundo.

PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco “?

Luís Pucarinho - O “espírito” do disco é traduzido por todos os temas no seu conjunto. A canção (pelo seu conteúdo literário) que posso dizer que resume melhor o que este disco simboliza é o tema “Gaia de Saia”.

PR - “SaiArodada” vai colaborar com a plataforma internacional "In place of war" cedendo uma parte das receitas do disco para os direitos da mulher em África. Quer falar-nos um pouco desta iniciativa?

Sim, esta parceria surgiu de um convite que me fizeram para dar formação musical e de produção na Republica do Congo (a lesados e refugiados de guerra) à imagem do que já havia feito em S.Tomé e Príncipe e em Timor, não a refugiados de guerra, mas conterrâneos com potencial para a recuperação de cultura local. Daí percebi que a instituição britânica “in place of war”, está ligada a várias instituições de caridade e apoio social, também contemplando os direitos da mulher, que nestes países estão agora a dar os primeiros passos. Assim sendo, como faz parte de mim fazer trabalhos sempre
com algum cariz social, decidi ceder parte das minhas receitas para este fim.

PR - Pela primeira vez assume neste disco a produção na íntegra (desde as gravações às misturas). Há alguma razão em especial para este facto?

Luís Pucarinho - Nos discos anteriores, fiz sempre uma parte do trabalho, essencialmente a captação (gravação) e embora já tenha produzido mais de uma dezena de discos a outros artistas, achei sempre por bem, no que diz respeito à minha música, criar uma certa distância, sobretudo na fase final, nas misturas e masterização. Isto porque considero o processo de finalização deve ser tratado por alguém que ouça o disco como um ouvinte comum e que o finalize com essa percepção, a mesma que o público terá. Desta vez fui mais longe e assumi as misturas, por tratar-se de um disco com poucos músicos e onde praticamente toda a matéria prima gravada foi aproveitada, no entanto deixei as gravações da voz principal e a masterização entregues ao Fernando Nunes do estúdio “Pé de Vento”, para que uma segunda opinião com conhecimento de causa pudesse acrescentar mais valias ao resultado final.


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