27/03/2020

DISCURSO DIRETO | Dela Marmy


Dela Marmy, projeto em nome próprio de Joana Sequeira Duarte (ex-The Happy Mess), edita hoje o EP "Captured Fantasy" pela KPRecords*KillPerfection, que estará disponível nas diversas plataformas digitais. Neste novo trabalho Joana Duarte pretendeu alargar as colaborações artísticas, por desejar sentir-se desafiada e livre com a partilha de experiências e ideias. Convidou, então, a escritora e poetisa Raquel Serejo Martins para a letra de “Flying Fishes” – tema de abertura do EP – e o lyricist galês TYTUN para participação no introspectivo “Take Me Back Home”. Dela Marmy é hoje minha convidada em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - Intimista e universal, esta é melhor imagem para descrever este EP?

Dela Marmy - Haverá várias formas de descrever o EP Captured Fantasy; esta poderá ser uma delas. Intimista porque parte de uma espécie de conversa de mim para mim, sobre temas que ocupam o meu pensamento no dia-a-dia; uma conversa a dois, em que é possível falar em voz baixa, porque não há ruído de fundo. Universal porque a partir de detalhes e de temas quotidianos, pensa-se e tecem-se considerações à escala global.

PR - Que “histórias” se escondem detrás de cada uma das 5 canções deste disco?

Dela Marmy - Histórias da relação da pessoa (ser humano) com o mundo, tendo como de partida diferentes perspetivas. A relação com o outro; o amor e a solidão, dois paradigmas. A relação com o planeta, a casa que habitamos e nos dá vida e que teimamos em destruir. A relação com o nosso lugar espelho, a casa. Com a espiritualidade, referente, não a uma ideia religião, mas a um sentido de despojamento. Com o imaginário, individual e colectivo e, de que forma esse imaginário pode servir a nossa fantasia de vida e realidade.

PR - Este EP conta com a produção de Charlie Francis, versátil e experiente músico/produtor inglês. Esta colaboração foi primordial para o resultado final deste disco?

Dela Marmy - Foi sem dúvida muito importante. O Charlie trouxe às gravações uma forma de trabalho muito consequente, descontraída e focada, o que considero uma enorme mais valia, por não imprimir ao álbum uma sensação de pressão. As canções mantêm, no seu âmago, a origem sensível e ingénua; pelo seu lado, o Charlie deu-lhes um revestimento coeso e arriscado, tirando partido da potencialidade dos materiais.

PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?

Dela Marmy - “Tempest” é o tema do qual surge o nome do disco “in a broken captured fantasy”, é bem capaz de ser este….. 

PR - O coronavírus mudou a nossa forma de viver. Como é que um músico que se prepara para lançar um disco, enfrenta toda esta nova realidade?

Dela Marmy - Esta nova realidade é enfrentada com uma novidade tamanha, com a disciplina de viver um dia de cada vez, a reformular todas as cadeias criativas e de pensamento para redefinir a estratégia de lançamento…. Permitir também que não haja estratégia alguma…. Passa também por aceitar os acontecimentos; manter o lançamento de um álbum no centro do Apocalípse, apesar dos indicadores externos indicarem o adiamento. Relembrar às pessoas o quanto somos importantes uns para os outros, hoje e sempre. Aceitar este momento, aceitar o mundo que estamos a viver e partir daí sim, criar vida. O Amor e a Resistência na base, na periferia e no centro.


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