30/08/2021

NUNO LEOCÁDIO | Discurso Direto



O Karma é uma atividade dedicada à música independente. Neste ano de 2021 volta a decorrer na centenária Mata do Fontelo nos dias 2, 3, 4 e 5 de Setembro. Permitirá um encontro entre natureza e artes, numa fusão que promete uma experiência única para público e artistas. Esta é uma busca pela identidade do Karma que não pode ser estanque, é uma procura contínua que conduz a artistas e parceiros que definem o que o Karma é. Nuno Leocádio, diretor artístico do Festival Karma, é hoje meu convidado em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - O Karma surge numa conjuntura repleta de dificuldades e ameaças, neste contexto “ser” é um ato de resiliência? 

Nuno Leocádio - Por causa desta conjuntura difícil e ameaçadora ser é um ato de liberdade do qual não prescindimos, nunca deixámos de ser uma cooperativa cultural que dá valor á dignidade dos artistas e equipas técnicas, sempre com respeito pelo público. Apesar da conjuntura difícil e ameaçadora nunca achámos antagónico o direito da cultura ser. Ser é mais do que um ato de resiliência, nos dias que correm, é um grito por dignidade. É isso que procuramos nesta conjuntura repleta de dificuldades e ameaças ser livres para experimentar, apresentar, criar, discutir e encontrar soluções adequadas à realidade. Respeitar, resistir e recuperar de uma conjuntura difícil e ameaçadora é mais uma responsabilidade social do que um mérito. 

PR - O que é que o público pode descobrir nos dias 2,3, 4 e 5 de setembro na Mata do Fontelo? 

Nuno Leocádio - Podem descobrir um bom Karma no cenário idílico da Mata do Fontelo, palco perfeito para apresentar A Azenha, Marlow Digs, Club Makumba, Yakuza, Bardino, Dada Garbeck, Amaterazu, Escola do Rock de Paredes de Coura e Cabrita. Podem descobrir porque é que Viseu se considera a Cidade jardim, podem descobrir os recantos de uma Mata centenária e a sua história, podem sair da Mata do Fontelo e conhecer Viseu. 

PR - Para além da música, o que é que o Karma nos tem para oferecer nesta edição? 

Nuno Leocádio - O Karma é uma realização dedicada à música, toda a programação está relacionada com som mas sobre este mote sempre tivemos a preocupação, seja no Carmo´81 ou no Karma em dar espaço a várias expressões artísticas e este ano além dos concertos de que já falámos, propomos várias linguagens e interpretações sonoras da Mata do Fontelo: Um filme realizado pelos Supermoon que será uma exploração da diversidade de escalas, ciclos, concorrência, cooperação. Uma lição sobre caos e ordem. Será uma experimentação visual e sonora sobre estes pressupostos, a partir da Mata do Fontelo. Faremos uma edição independente dedicada à fotografia com registos de concertos ao vivo no Carmo´81, uma singela recordação da verdadeira normalidade. Uma exposição do Fotografo Rafael Farias que promete despertar as emoções que antecedem um espetáculo. Esta exposição acompanhará o público dês da entrada do Fontelo até ao recinto do Karma. Uma exposição de artes plásticas com a realização de um Estranhofone pelas mãos e imaginação de Samuel Coelho e Cesar Estrela, que criam instrumentos estranhos com a reutilização de materiais invulgares, será exposto de 2 a 5 de Setembro este objeto sonoro concebido em exclusivo para o Karma. Uma Oficina de Criação Musical para jovens, onde o músico João Pedro Silva de The Lemon Loves e Senhor Jorge reunirá os inscritos nesta oficina sobre o desfio de criar uma banda. Pretendemos que esta atividade represente uma semente Um desenho de luz único na Mata do Fontelo de 2 a 5 de Setembro a Mata será pintada em tons singulares. O Karma também nos irá oferecer o regresso da Carmo´81, após 14 meses de portas abertas à comunidade artística, mas fechadas ao público, o Karma marca o reencontro da Carmo´81 com o seu público, iremos celebrar juntos de novo iremos abrir a porta usar o palco e o ao vivo de que tanta saudade já temos. 

PR - A edição de 2021 será uma despedida simbólica da Mata do Fontelo, enquanto espaço central para o Karma? 

Nuno Leocádio - Quando concebemos o Karma era reconhecido o potencial da Mata do Fontelo, não apenas cénico, mas também logístico, com cantos e recantos históricos que pretendíamos expor, fauna e flora que queríamos apresentar e dar a conhecer a mais gente, com sonoridades que podem ser interpretadas por artistas e público. No entanto e após dois anos a Mata do Fontelo atravessa um processo de estudos e reconfiguração da sua utilização. A par das restrições associadas à pandemia as restrições de utilização da Mata tolhem-nos os movimentos. Por apreço e estima à Mata do Fontelo pretendemos respeitar cuidadosamente todas as indicações dos departamentos que gerem o presente e futuro da Mata, mas temos então que admitir que se o Karma quer ser um festival terá de se despedir do Fontelo. Este ano conseguimos um compromisso prefeito entre o que pretendemos e o possível. será portanto uma despedida bonita e simbólica enquanto espaço central do evento. Viseu promete outros locais com igual ou superior potencial e voltará a ser para nós um desafio reconfigurar o evento pensando nesse futuro próximo. 

PR - Para terminar, indique 3 boas razões para que ninguém deixe de marcar presença nesta edição do karma. 

Nuno Leocádio - Sou suspeito claro, mas a primeira e mais importante razão é o cartaz, os artistas que apresentamos são a razão principal do que um bom Karma é. Estou a ser repetitivo, mas o cenário e a forma como vos vamos apresentar a Mata do Fontelo nas noites de 2,3,4 e 5 de Setembro. Voltarmo-nos a ver olhos nos olhos ao vivo, sentir os arrepios dos momentos emotivos. Viver é um excelente motivo não acham?

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