Passadas quatro décadas da criação dos Roquivários, que se extinguiram como grupo em 1985, Midus acaba de lançar o seu primeiro álbum a solo, a que deu o título "Minhas Canções, Meus Amigos". Quando anunciou o regresso aos discos, ficou claro que Midus assumiria o papel principal como compositora, mas rodeada de amigos. A primeira amostra – “Gostas de mim”, juntou Midus a Tim (o eterno amigo, dos Xutos) e na segunda, Midus convidou Teresa Maiuko e Dom Brown (músico habitual dos Duran Duran, e que já trabalhou com Mark Ronson ou Liam Gallagher). Com este leque de amigos e com as influências culturais e musicais dos dois mundos (Lisboa e Londres) em que Midus tem dividido a sua vida, o resultado evidenciado no álbum “Minhas Canções, Meus Amigos”, é uma palete de canções salpicadas ora com tons mais coloridos, ora com tons mais cinzentos, mas sempre com uma verdade e uma energia contagiantes, que nos remetem para o universo pop tão do agrado de Midus. Hoje em "Discurso Direto", Midus é a minha convidada.
Portugal Rebelde - O seu regresso às canções tem outro sabor rodeada de amigos?
Midus - Sim claro, ter amigos e muito importante na minha existência, na minha vivencia, essa e que é a
essência do meu bem estar. Tocar com amigos, não há coisa melhor não e?…Fazer musica tem tudo
a ver com o bem estar da pessoa emocionalmente e quando se faz musica com amigos com quem
nos damos bem, tanto pessoalmente como musicalmente as coisas saem muito melhor, à vontade e
naturalmente. Claro, claro que rodeada de amigos tem outro sabor.
PR - É verdade que o leque de amigos presentes neste disco refletem as influências culturais e
musicais dos seus dois mundos (Lisboa e Londres)?
Midus - Reflete e muito, se bem que a linguagem musical seja universal, deparamo-nos sempre com
influencias que se cruzam quando existem pessoas de vários países. Estes meus dois mundos
deram-me uma escola enorme e sem eu dar por ela, transparece.
PR - Este é um disco muito pensado e desejado?
Midus - Pensado não, mas muito desejado sim. Finalmente tive a oportunidade e o tempo de o fazer, claro
não omitindo a ajuda financeira do Fundo Cultural da SPAutores e da MCtrust que me deu uma
liberdade confortante de o gravar com eu desejava. Os temas, à medida que fui escrevendo, sabia o
som que se instalava na minha cabeça e a partir dai, imaginava os músicos meus amigos e que me
davam tanto em termos de som, como da sensibilidade que eu sabia que tinham e que encaixava
perfeitamente em cada canção. O primeiro tema gravado neste álbum foi os ‘Olhos Fechados’ e
quando me foram enviados os ficheiros dos violoncelos do Andy Nice e do Jann Michael Engel
para ouvir, nos estávamos em chamada Zoom, assim que comecei a ouvir vieram-me as lágrimas
aos olhos, a partir daí eu estava no caminho certo. Portanto sim, muito desejado.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Midus - Eu nunca pensei o termo que poderia caracterizar este disco, eles são todos diferentes, traduzem
emoções diferentes da minha vivencia, não tenho assim um que diga, olha este é o que identifica o
álbum, só posso dizer que o tema que começou esta ideia de finalmente voltar a gravar foi os ‘Olhos
Fechados’ agora, é como escolher dos 9 filhos qual o melhor, ou qual o que tu mais identificas, ou
caracterizas ou qual o que se sobressai mais. Eu não consigo escolher, são todos diferentes e
meus…deixo isso ao critério do público.
PR - Como é que o público está a receber as suas canções?
Midus - Olha até agora não tive uma má critica em relação ao álbum, está a ser muito bem recebido pelo
público e é interessante que quando pergunto a certas pessoas com quem me deparo, quais ou qual a
música de que gostam mais…? As respostas são variadíssimas, uns gostam mais de umas outros
doutras, o que me faz sentir bem…só por isso, já ganhei!

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