Inspirado pelo código binário do título “Ones & Zeros”, neste álbum, o trio conimbricense Birds Are Indie reflete sobre uma série de dicotomias presentes no tempo em que vivemos, como a relação do real e do virtual. E, num combate assumido à lógica, contrasta a delicadeza com a intensidade e a pop com o rock, dando um passo em frente no seu percurso de mais de uma década. “Ones & Zeros”, o novo disco dos Birds Are Indie, editado pela Lux Records, está disponível em CD, vinil (303 exemplares numerados e distribuídos por três cores: preto, branco e amarelo) e nas plataformas digitais. Os Birds Are Indie são hoje meus convidados em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - A distopia, a inteligência artificial e a alienação são o ponto de partida para este "Ones & Zeros"?
Birds Are Indie - Sim, são alguns dos pontos de partida, mas, pensando bem, também de chegada, em certa medida. As canções são escritas partindo de diferentes perspetivas, que se vão cruzando. O mesmo acontece nos videoclips que irão acompanhando cada música.
PR - Sem perder a essência pop, este disco abre portas para novas sonoridades?
Birds Are Indie - Pelo menos, pretendemos que sim e fizemos por isso. Entre o disco anterior e este, comprámos instrumentos novos, como um sintetizador analógico, uma caixa de ritmos, um baixo e uns quantos pedais de guitarra. Ao fazê-lo (além de alimentarmos irresponsavelmente o vício de comprar instrumentos musicais) queríamos trazer para a sala de ensaios novos estímulos e novos desafios, de maneira a que também criássemos de forma diferente e com novos destinos em mente.
PR - Se tivessem que escolher a "canção" deste "Ones & Zeros", qual seria vossa escolha?
Birds Are Indie - Neste caso, é mesmo impossível responder a esta pergunta. É um álbum conceptual e cada uma das 10 músicas cumpre o seu papel para o puzzle total do disco. Nas sessões de gravação, registámos mais três que ficaram de fora do CD e do vinil, não por não gostarmos delas, mas por acharmos que não se enquadravam, por diversas razões.
PR - Já tiveram oportunidade de apresentar ao vivo este álbum. Como é que o público tem recebido as novas canções?
Birds Are Indie - Felizmente, bastante bem. Nós estamos muito entusiasmados com as novas músicas, tocamo-las com uma energia especial e parece-nos que isso tem passado para o público. Muita gente que já nos viu em anos anteriores, no fim destes concertos mais recentes, vem dizer-nos algo como: “Vocês estão com uma energia reforçada!” ou “O vosso som está muito mais forte!” ou “Vocês agora mexem-se muito mais!”. E nós ficamos contentes, porque era isso exatamente que buscávamos.
PR - Que memórias guardam de 13 anos de canções?
Birds Are Indie - Imensas… incontáveis… Mas, no fundo, olhando para trás, parece-nos uma única memória, em contínuo, de uma história vivida em conjunto, de forma descontraída e honesta.

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