Desde o princípio da década de 90 do século passado que a Quadrilha anda por aí liderada por Sebastião Antunes, autor para quem a música toda se encontra e cruza na sua imaginação multifacetada e na sua sensibilidade desperta. E acontece que há dias assim. Dias em que nos encontramos com tudo, ou quase, que o seu talento de músico e a sua dimensão de criador de histórias cantadas se revelam e nos convocam. "Dia Sim" é o mais recente álbum de Sebastião Antunes & Quadrilha. Hoje em "Discurso Direto" é meu convidado Sebastião Antunes.
Portugal Rebelde - Que viagem é esta que nos propõe álbum “Dia Sim”?
Sebastião Antunes - Este dia sim propõe-nos uma viagem por uma vida que poderia ser a de qualquer um de nós. É uma história que não estando escrita está implícita.
Começa na timidez normal da adolescência, passa pelas afirmações ambientais e depois pela vidinha com os seus altos e baixos. Até chegar ao Dia Sim que é aquele dia a meio da vida em que paramos para pensar e contas feitas concluímos que somos felizes.
PR - Enquanto músico, sente que é também um criador de histórias?
Sebastião Antunes - Quase sempre. A maior parte das minhas canções são inspiradas em histórias que vivi ou histórias vividas por alguém que me contou. Uma das coisas que mais gosto de fazer é andar por este país a falar com pessoas e guardar o que me contam, para depois construir as minhas canções. Muitos grupos da música popular fazem recolhas de canções para depois as trabalharem. No meu caso, acho que recolho assuntos e depois construo as minhas histórias.
PR - “Coração Digital” foi o single de apresentação deste disco. De que é que nos fala
este tema?
Sebastião Antunes - O "Coração Digital" é uma música dedicada ás pessoas que fazem questão de ser felizes independentemente da idade que têm ou da fase que estão a passar. Não consegui ficar indiferente à euforia dos meus alunos menos jovens com as redes sociais. Tenho várias turmas de alunos sénior e não foram poucas as vezes que as aulas foram interrompidas pelos sons dos telefones a enviarem mensagens, imojis uns aos outros. É encantador perceber que estas pessoas continuam a encontrar razão de ser para o amor e para a alegria. Afinal tenho que agradecer essas interrupções, pois inspiraram o tema "Coração Digital".
Por sugestão da fotógrafa Rita Carmo, produtora do vídeo, decidimos colocar no mesmo a ideia que o amor não faz sentido com barreiras étnicas. Esta música, por um lado, conta toda a alegria que as redes sociais trouxeram a muita gente, por outro termina com os personagens da história a deixarem a ideia de que apesar de tudo sentimos a falta da mão na mão.
PR - Depois do disco, onde é que poderemos ver e ouvir Sebastião Antunes &
Quadrilha?
Sebastião Antunes - Já estamos a compor a agenda. Posso destacar o festival Bons Sons, mas melhor mesmo é consultar o nosso site e canal Youtube para acompanhar as nossas datas.
PR - Que memórias guarda destes 20 anos de canções?
Sebastião Antunes - Para falar verdade já são quase 30, este é já o nosso 13º álbum. O que mais me fascina nesta história é sempre o contacto com o público, ouvir as pessoas a cantar as músicas, os abraços, as sessões intermináveis de piadas durante as viagens, o entusiasmo com que no início de cada ano preparamos o concerto. Este projeto é feito de muitas memórias, quase sempre afetivas, pois somos como uma família. É difícil ao fim de tantos anos destacar um pormenor ou outro. O importante é a felicidade que esta história me tem dado. Este grupo dá-me muitos dias sim.

Sem comentários:
Enviar um comentário