Num texto sobre Lena d’Água e "Desalmadamente", o álbum que chegou hoje às lojas e que tem sido aclamado pelos media em uníssono, Inês Meneses escreve assim:
“Muitas mulheres da minha idade (que fizeram a transição entre gerações mais passivas para um hastear da bandeira mais guerreira do feminismo) tiveram na Lena d´Água o exemplo que queriam seguir. Eu, aos 10 anos, queria ser como ela: era um mistério aquela miúda irrequieta que cantava às vezes de uma forma doce e quase infantil sem se intimidar com todos os homens que a acompanhavam. O que fiz ao meu cabelo para ele se aproximar do cabelo da Lena, só o espelho da minha infância poderá contar. Nunca conseguimos ser como ela. Talvez por isso, quase 40 anos passados desde o single “Robot” ainda conservemos com nitidez esses momentos (…)”, continua.
“A Lena tem a mesma voz, a mesma (!) de sempre, e tem agora 62 anos. Estamos nesta era de plástico em que fazemos deslizar as nossas rugas em filtros que nos escondem da verdade. E eu, acredito que muitos como eu, queremos o real. Eu quero ser esta mulher cheia de imperfeições que em 1980 cantava as canções da Lena e quero que a Lena seja a mulher que é: sem me esconder as rugas dela, deixando-me ouvi-la como a conheci.
É a realidade que me dá pica. Pode ser a realidade embrulhada em canções pop (que nunca vou esquecer) e que volto a querer cantar Desalmadamente com a Lena.
Não, ela nunca se foi embora. O verão ainda não acabou."
“Desalmadamente” pode ser encontrado aqui.

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