10/04/2022

JOSÉ MOZ CARRAPA | Discurso Direto


Foi guitarrista de grupos como “Cid, Scarpa, Carrapa & Nabo”, “Circo da Vida” e “Sexo dos Anjos”. Fez parte dos “Salada de Frutas”, “Ala dos Namorados” e “Ficções”. Enquanto produtor residente da “Valentim de Carvalho” foi co-produtor dos discos “Anjo da Guarda” de António Variações, “Guardador de Margens” de Rui Veloso e “Atravessando Rios” de José Mucavele. José Moz Carrapa editou recentemente o álbum "Por Um Fio", composto por quinze músicas, que foi registando ao longo de 30 anos em vários locais onde, por um fio, se ligou. José Moz Carrapa é hoje meu convidado em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - “Por um Fio” é um disco composto por 15 músicas, que foi registando ao longo de 30 anos, em vários locais, onde por um fio, se ligou. Porquê só agora estas músicas viram a luz do dia? 

José Moz Carrapa - Só há relativamente pouco tempo senti que tinha uma colecção de temas que poderia ser interessante publicar. Não tendo, na minha percepção, um género definido nem datado, ocorreu-me na forçada ociosidade dos confinamentos que, se conseguisse apoio para edição em CD, poderia divulgar o que foi sendo engendrado sem propósito outro que exercitar os dedos e a prática de escolher ritmos e acordes a meu gosto para “guitarrar” por cima e a meu bel-prazer. 

PR - No press release deste disco afirma que o pretexto para as composições foi a vontade de tocar à sua maneira. Foi sempre assim ao longo destes 30 anos? 

José Moz Carrapa - Com o “à minha maneira” quero dizer, o meu “gosto”, as minhas preferências estéticas, sem ter que negociar o acorde, a sonoridade, o estilo… A maior parte do meu percurso como instrumentista tem sido ou em grupos, onde nos temos de pôr de acordo a cada passo e negociar ideias, ou a acompanhar intérpretes em nome próprio, os quais tem gostos e necessidades próprias e o propósito é servi-las o mais escrupulosamente possível. Daí que, como escape para o ego, se pode temperar o ph com estas veleidades mais ou menos criativas. 

PR - Este disco com a preciosa colaboração Alexandre Frazão, Alexandre Manaia, Yuri Daniel, Nanã Sousa Dias, Diogo Santos, Bernardo Fesch, Edgar Caramelo, Tomás Moital, Gabriel Gomes e Rui Alves. Para além da amizade que o une a estes músicos, que contributo trouxeram estes músicos para este álbum? 

José Moz Carrapa - Incalculável valor acrescentado. Todos estes músicos contribuíram com a sua criatividade para o meu atrevimento em divulgar o resultado das colaborações. Depois de os ouvir nas minhas peças, senti o boost na auto-estima que me induziu a misturar as outras em que toco sozinho. Grandes músicos e amigos. 

PR - Depois da edição do disco, há intenções de levar as músicas deste “Por um Fio” aos palcos? 

José Moz Carrapa - Não sei se vai ser possível. Reunir músicos para isso implica desviá-los dos seus compromissos profissionais e a música instrumental não é o que mais se ouve por cá. Mas não está posta de lado a ideia e tenho estado a trabalhar para esse fim. Mas não vou empurrar ninguém nem remar contra a corrente. O que for, será.

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