Os Imparáveis Tiroliro & Vladimir é um disco que reúne um reportório perdido e inédito - anterior ao fenómeno do "rock português" - criado por Gimba e Jorge Galvão ainda nos anos 70, quando ambos eram ainda teenagers. Por volta de 1985, quando se lhes junta o baixista Nuno Faria, o grupo passaria a chamar-se Os Afonsinhos do Condado. “Os Imparáveis” foi produzido, gravado e misturado pelos dois autores e conta com a participação de alguns amigos - desde logo o próprio Nuno Faria, no contrabaixo - Gui (Xutos e Pontapés), nos saxofones, ou Paulo Marinho (Sétima Legião/Gaiteiros de Lisboa), que toca as inconfundíveis gaitas de foles no início deste single, cujo videoclip foi realizado por Jorge Galvão. Fausto Ferreira (piano elétrico), Luís Gaspar (Bateria), Nuno Reis (Trompete), Franciso Silva (contrabaixo), Pedro Lopes, Inês Santos e Violeta Galvão (vozes adicionais) completam o naipe de artistas convidados. Hoje em "Discurso Direto" recebemos Gimba, um dos elementos da dupla Os Imparáveis Tiroliro & Vladimir.
Portugal Rebelde - Este disco resulta de um curioso trabalho de arqueologia cerebral, pois não existia nenhum registo destas canções. Queres contar-nos como é que tudo se processou até chegar às 18 canções que compõem este disco?
Gimba - Fomos convidados para cantar estas canções no Clube Royale. Algumas estavam frescas na nossa cabeça. Outras, nem tanto. Houve que “escavar” nas nossas memórias, pois não tínhamos nenhum registo, nem gravado nem escrito, deste reportório. Feito este trabalho em que um puxou pelo outro, palavra puxa palavra, etc, chegámos à conclusão que tínhamos nas mãos um espólio interessante, com canções da pré história do rock português. E decidimos gravá-las! Com toda a paciência, às quintas-feiras encontrávamo-nos para gravar. No final tínhamos 22 títulos, mas deixámos alguns de lado, e o disco só tem 18.
PR - “Onde Foste Tu?” é o primeiro single do álbum Os Imparáveis Tiroliro & Vladimir. De que é que nos fala esta canção?
Gimba - Fala de várias coisas, segundo várias óticas. Podemos ser nós a questionar-nos e a questionar o mundo, sobre os nossos comportamentos, o nosso destino, a nossa missão. Mas também pode ser o mundo a questionar-se depois de extinta a humanidade. Enfim: cada um pode fazer a sua própria leitura pois a letra dá-nos essa liberdade.
PR - “Os Imparáveis” conta com a participação de muitos (ilustres) convidados. Este disco é também de alguma forma uma “celebração”?
Gimba - Não foi feito com essa intenção. Apenas chamamos meia dúzia de amigos que tocam os instrumentos que achamos necessários para cada situação.
4. As canções deste disco foram compostas quando tinham 16 e 20 anos.
PR - Esta “aventura” foi muito especial para o duo?
Gimba - Sim, claro. De algum modo são as canções da nossa vida. As primeiras, as mais frescas, e - por estarem “esquecidas” - deu-nos um gozo especial vê-las reaparecer, crescer e sair da casca como gente grande!

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